O amor é o ridículo da vida.A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora.A vida veio e me levou com ela.Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue. Bonita e breve, como borboletas que só vivem vinte e quatro horas.Morrer não dói.[Cazuza]Ouvi o silêncio da casa,
e ele me disse que as pegadas não serão as mesmas na estrada,
que os retratos não serão os mesmos no álbum,
que as músicas tocarão outros dois,
que o que eu sinto já ficou pra depois.
No silêncio entendi pequenas coisas,
mas fiquei sem as grandes respostas.
O silêncio me deixou perplexo
me estapeou com enganos tão provisórios quanto um amor passageiro.
Silenciosamente passei, como uma gripe chata
que finalmente nos deixa livres para curtir a festa.
Sem silêncio e sem cerimônia fiquei sem ar,
como os peixes que se debatem fora da água.
As verdades já estavam, há muito,
em algum outro lugar feliz.
Ainda faltava garantir que os objetos passados
tivessem todos um destino acertado e elegante.
Não seria mais por muito tempo
que o silêncio me prenderia às indignações.
Eu silenciaria para o mundo, que não entende de desesperos.
Meu silêncio me diria as coisas reais e doces
das quais preciso para sobreviver à mim.
Silenciei, frente ao que não tem caminho, endereço, perdão.
O imponderável me tirou a espinha sem um pio.
A dor silenciou, a raiva silenciou, a escolha gritou.
O silêncio da casa disse que nela não cabia
e não caberia mais, jamais.